Casa de Sementes
http://www.esplar.org.br/produtos/sementes.htm
Como surgiram, funcionam e quem pode se associar às casas de sementes Casa de Sementes (denominadas, em alguns lugares, Bancos de Sementes) são organizações comunitárias que visam a auto-suficiência dos agricultores e agricultoras familiares, no abastecimento de sementes de espécies importantes para a agricultura local. As Casas de Sementes surgiram no Brasil na década de 1970, por iniciativa da igreja católica junto a diversas comunidades de vários estados do nordeste brasileiro. Naquela época, a população sofria tanto com as secas periódicas, que castigavam essa região do País, aumentando a fome e deixando-a em condições de extrema miséria, como também por causa da perseguição política e repressão. Foi a partir dessa realidade a seca e o povo reprimido que surgiu a proposta de criar Casas de Sementes. No início, o principal objetivo era garantir às famílias sementes armazenadas para o plantio quando caíssem as primeiras chuvas e, assim, deixar de depender do patrão, trocando dias de serviço por sementes para o plantio de seus roçados. Além da possibilidade de autonomia, as Casa de Sementes tornaram-se um importante espaço para realização de reuniões, conversas e debates sobre os problemas das comunidades. Para formar uma Casa de Sementes Comunitária, as pessoas interessadas devem estabelecer, coletivamente, quais as necessidades do grupo, levando em conta a quantidade e a variedade de sementes. A partir daí, estipula-se a quantia que cada um deverá depositar para dar início ao trabalho. As Casas de Sementes funcionam através do sistema de “empréstimo e devolução”. A quantidade de sementes a ser emprestada a cada sócio/sócia para o plantio de seu roçado, bem como o percentual de acréscimo dado a essa quantidade na hora da devolução, são normas internas de cada Casa de Sementes, definidas coletivamente. O controle do estoque de cada Casa de Sementes é feito por uma coordenação local, através de fichas de registro de entrada e saída das sementes, cadastro de sócios e recibos. Qualquer pessoa, homem ou mulher, ainda que seja da mesma família pode ser sócia da Casa de Sementes. Basta que tenha identificação com a proposta defendida e compromisso com o trabalho coletivo. A participação das mulheres como sócias das Casas de Sementes tem especial Importância, pois, além de contribuir para sua autonomia, é um Instrumento de comprovação da sua profissão de agricultora.
VIVA a AGRICULTURA FAMILIAR
O Incômodo Censo Agropecuário.
Roberto Malvezzi (Gogó)
O último censo agropecuário trouxe verdades incômodas, que atiçaram a ira do agronegócio brasileiro. Afinal, a pobre agricultura familiar, com apenas 24,3% (ou 80,25 milhões de hectares) da área agrícola, é responsável “por 87% da produção nacional de mandioca, 70% da produção de feijão, 46% do milho, 38% do café , 34% do arroz, 58% do leite, 59% do plantel de suínos, 50% das aves, 30% dos bovinos e, ainda, 21% do trigo. A cultura com menor participação da agricultura familiar foi a soja (16%). O valor médio da produção anual da agricultura familiar foi de R$ 13,99 mil”, segundo o IBGE. Quando se fala em agricultura orgânica, chega a 80%. Além do mais, provou que tem peso econômico, sendo responsável por 10% do PIB Nacional.
Acontece que a agricultura familiar, além de ter menos terras, tem menos recurso público como suporte de suas atividades. Recebeu cerca de 13 bilhões de reais em 2008 contra cerca de 100 bilhões do agronegócio. Portanto, essa pobre, marginal e odiada agricultura tem peso econômico, social e uma sustentabilidade muito maior que os grandes empreendimentos. Retire os 100 bilhões de suporte público do agronegócio e veremos qual é realmente sua sustentabilidade, inclusive econômica. Retire as unidades familiares produtivas dos frangos e suínos e vamos ver o que sobra das grandes empresas que se alicerçam em sua produção.
Mas, a agricultura familiar continua perdendo espaço. A concentração da terra aumentou e diminuiu o espaço dos pequenos. A tendência, como dizem os cientistas, parece apontar para o desaparecimento dessas atividades agrícolas.
Porém, saber produzir comida é uma arte. Exige presença contínua, proximidade com as culturas, cuidado de artesão. O grande negócio não tem o “saber fazer” dessa agricultura de pequenos. E, bom que se diga, não se constrói uma cultura de agricultura de um dia para o outro. A Venezuela, dominada secularmente por latifúndios, não é auto suficiente em nenhum produto da cesta básica. Exporta petróleo para comprar comida. Chávez, ao chegar ao poder, insiste em criar um campesinato. Mas está difícil, já que a tradição é fundamental para haver uma geração de agricultores produtores de alimentos.
O Brasil ainda tem – cada vez menos – agricultores que tem a arte de plantar e produzir comida. No Norte e Nordeste mais a tradição negra e indígena. No sul e sudeste mais a tradição européia de italianos, alemães, polacos, etc. É preciso ainda considerar a presença japonesa na produção de hortifrutigranjeiros nos cinturões das grandes cidades.
Preservar esses agricultores é preservar o “saber fazer” de produtos alimentares. Se um dia eles desaparecerem, o povo brasileiro na sua totalidade sofrerá com essa ausência. Para que eles se mantenham no campo são necessárias políticas que os apóiem ostensivamente, inclusive com subsídio, como faz a Europa.
Do contrário, se dependermos do agronegócio, vamos comer soja, chupar cana e beber etanol.
Fonte: não sei, recebi por email… PERFEITOOOO!