O Mundo de Acordo com a Monsanto
Talvez muitos adjetivos possam descrever o documentário O Mundo de Acordo com a Monsanto; “revelador” é o que melhor me soa nesse momento. Isso significa que quem não quer saber das verdades que se colocam em nossas mesas todos os dias e organizam a nossa sociedade-zinha, não precisa ver. E continua… contribuindo com um sistesma centrado na exploração humana, animal, ambiental, que tem por consequência destruir a nossa saúde de uma maneira bem suave, lentamente, a gente quase não associa a vida que a gente leva, os condicionamentos do nosso pensamento, as limitações da nossa felicidade com o que a gente come. E tudo isso é brutal. Esse seria o segundo adjetivo, talvez.
Dirigido pela francesa, jornalista independente, Marie-Monique Robin. Admirável!
Na primeira semana de dezembro, a Prof.a. Larissa, do Depto de Geografia da USP, organizou um encontro entre Alex Kawakamir do MST de São Paulo, Raphael da Cruz, do Greenpeace, e a diretora Marie-Monique Robin para discutir o tema “transgênicos”.
ou, se preferir a Radical Livros já editou a versão em português:
http://www.radicallivros.com.br/loja/
A perfeição humana da canola – A planta que Deus não criou !
CANOLA.
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A canola é mais uma destas histórias atuais, que mostram como a ciência,
afastada do comum das pessoas, se torna cúmplice de atitudes públicas, que
podem ser perigosas para a saúde coletiva. Em primeiro lugar, é preciso
estabelecer a seguinte questão: “O que é canola, que, afinal, nem
consta nas enciclopédias.” (Comptons e Encarta de 96)?
Vejam só: Canola é novo nome de um ‘tipo’ de Colza. Colza é uma
planta da família das brássicas – Brassica campestris. Portanto a colza é um
‘tipo’ de mostarda que foi ou é a mesma planta utilizada para a produção do
agente mostarda, gás letal usado de forma terrível nas Guerras Mundiais.
O óleo de colza é muito utilizado como substrato de óleos lubrificantes,
sabões e combustíveis, sendo considerado venenoso para coisas vivas: ótimo
repelente (bem diluído) de pragas em jardins. Este poder tóxico é
proporcionado pela alta quantidade de ácido erúcico contido no óleo.
O óleo de colza tem sido usado de forma alimentar no Extremo Oriente, na
forma não refinada, e contrabalançada com uma dieta rica em gordura
saturada, o que evitaria seus graves efeitos tóxicos. No entanto, no
ocidente, o objetivo era produzir um óleo com pouca gordura poliinsaturada,
e boa quantia de ácido oléico e ômega-3.
O óleo de oliva tem estes predicados, mas sua produção em larga escala é
dispendiosa. Aí entram em cena empresas de ótimas intenções’, como a
Monsanto, e produz uma variação transgênica da colza. Para evitar problemas
de marketing, usa o nome CAN – OLA (Canadian low oil – ou óleo canadense).
Isto mesmo: CANOLA é absolutamente transgênica. Sua comparação aos
benefícios do óleo de oliva não passa de uma estratégia de venda: o óleo de
oliva é bem mais caro, mas o de canola é mais caro do que os outros óleos,
apesar de ser de produção baratíssima! Bom negócio, enfim.
Bem, se você não queria usar transgênicos sem seu expresso consentimento,
mas já usou o óleo de canola, talvez até aconselhado pelo seu cardiologista
ou nutricionista, fazer o quê? Perdemos o direito desta opção quando nos foi
retirada toda a informação. Mas se é tão bom assim como se diz, porque não
informar tudo a respeito?
O óleo de canola está longe de ser tão salutar assim como se alardeia. Se
observarem bem, pode deixar um cheiro rançoso nas roupas, pois é facilmente
oxidado, e seu processo de refinamento produz as famigeradas gorduras trans
(igual problema das margarinas) relacionadas às graves doenças incluindo o
câncer. Produz déficit de vitamina E, que é um antioxidante natural.
Observem que os alimentos feitos com canola embolaram mais rapidamente. As
pequenas quantidades de ácido erúcico, que ainda persistem na planta
alterada (transgênica) , continuam sendo tóxicas para o consumo humano, e
esta ação tóxica é cumulativa. Existem relatos de inúmeras outras
enfermidades ligadas à ingestão e até mesmo a inspiração de vapores de
canola (possível vínculo com câncer de pulmão). A canola também ilustra um
jeito de funcionar das megas empresas de biotecnologia. Em abril de 2002,
nos Estados Unidos, o CFS (Centro de Segurança Alimentar) e o GEFA (Alerta
de Alimentos Geneticamente Produzidos) pediram uma investigação criminal
contra a Monsanto e a Aventis mais o Departamento Americano de Agricultura é
que havia permitido o ingresso ilegal de sementes de colza modificada para
dentro do território americano antes da provação legal desta importação para
produção local.
Aqui no Brasil e lá nos EUA tudo funciona meio parecido. A
própria liberação da canola no território americano contou com estímulo de
US$ 50 milhões do governo Canadense para que o FDA (órgão regulador)
facilitasse seu ingresso na indústria alimentar de lá, mesmo sem os
adequados estudos de segurança em humanos.
Enfim, novamente nos defrontamos com uma situação em que a mão do homem
subverte o bom senso entre ciência e saúde, ao que parece porque os
interesses econômicos são muito mais persuasivos que os interesses dos
consumidores.
Mas o pior é que não podemos contar com os meios de informações que
sistematicamente informam o que interesses maiores julgam mais oportuno. A
canola, podemos ter certeza, é uma fração pequena do mundo obscuro do
capitalismo científico, que pesquisa fontes de enriquecimento muito mais
entusiasticamente do que as verdadeiras fontes de saúde, vida e paz!
Obrigado por repassar.
Luiz Antônio Caldani
Engº Agrônomo
Extraído do site da Universidade Federal de Lavras – MG – (UFLA)