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Brasil – Atingidos por Barragens

Atingidos por barragens denunciam que modelo de energia favorece transnacionais

por jpereiraÚltima modificação 11/03/2008 17:16

MAB realiza ocupações de hidrelétricas e barragens em todo o país às vésperas do 14 de março, dia internacional de luta contra as barragens

MAB realiza ocupações de hidrelétricas e barragens em todo o pa�s às vésperas do 14 de março, dia internacional de luta contra as barragens

11/03/2008

Silvia Alvarez,
de Brasília (DF)

O Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) iniciou, nesta terça-feira (11), uma jornada de mobilizações para denunciar as injustiças do modelo energético brasileiro e o preço elevado da tarifa. “Essa luta não é apenas da população atingida pelos lagos. Todo povo brasileiro é atingido pelas tarifas caras, pela privatização da água e da energia, pelo dinheiro público investido nessas obras (via BNDES). Portanto, a luta da energia deve se transformar em luta popular porque, antes de tudo, é uma luta pela soberania de nosso país”, afirmou Gilberto Cervinski, da coordenação nacional do MAB.

Os protestos realizados em oito regiões se inserem nas atividades que marcam, todos os anos, o dia internacional de lutas contra as barragens, celebrado em 14 de março. No Ceará, cerca de 700 atingidos pelas barragens de Castanhão, Jaguaribe e Macito Baturité ocuparam o canteiro de obras do Canal da Integração. Trata-se de um complexo de estação de bombeamento que realiza a transposição das águas do Açude Castanhão para o Complexo Portuário e Industrial do Pecém, onde se localizam indústrias siderúrgicas – empresas eletrointensivas, de elevado consumo energético. Para o movimento, esse canal representa a privatização da água, já que os atingidos pela construção da barragem de Castanhão vivem em uma situação precária, com dificuldade de acesso à água.

O MAB também organizou uma ocupação, com cerca de 700 pessoas, da Unidade Termelétrica Rio Madeira, em Porto Velho. A manifestação tem como objetivo reivindicar da estatal Eletronorte a solução de problemas antigos das famílias atingidas pelas barragens de Samuel e das famílias ameaçadas pela construção do Complexo de hidrelétricas no rio Madeira.

Tarifas elevadas, custo baixo

A organização questiona que a energia gerada nesses megaempreendimentos não beneficia a população em geral, mas sim empresas transnacionais que geram poucos empregos onde atuam. O país, na verdade, vive uma contradição. Gera energia pela tecnologia mais barata: a hidroeletricidade. No entanto, o cidadão paga uma das tarifas mais elevadas do planeta. “De fato, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), em 2007, a tarifa média espanhola equivalia a US$ 118/MWh; a francesa a US$ 90/MWh; e a norte-americana era de US$ 92/MWh. Pelo câmbio do ano, a tarifa média brasileira equivalia a US$ 147/MWh”, compara Joaquim Francisco de Carvalho, em artigo (leia mais).

O Brasil possui 10% do potencial hídrico energético do mundo, só fica atrás da Rússia (13%) e da China (12%). Sendo assim, por que então o brasileiro paga a 5ª maior tarifa de energia elétrica do mundo?

Para o MAB, a resposta é a situação gerada pela privatização do setor elétrico brasileiro. Com a venda das estatais e a construção do novo modelo de energia, a eletricidade foi transformada em uma mercadoria e quem passou a controlá-la foram empresas transnacionais. Desde então, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) reajustou as tarifas residenciais em 386,2%, quase o dobro da inflação.

Com a privatização feita no governo Fernando Henrique Cardoso (1994-2002), o preço da energia elétrica deixou de ser cobrado pelo seu custo de produção real (baseado na hidroeletricidade) para ser determinado pela energia que tem o maior custo de produção, predominante nos demais países (energia térmica). Ou seja, o modelo energético brasileiro passou a ser organizado para permitir que as empresas controladoras da energia (transnacionais) pudessem extrair as mais altas taxas de lucro.

“Governantes levianos e sem visão estratégica entregaram a grupos estrangeiros o controle de estatais que operam grandes usinas hidrelétricas. Hoje, as principais distribuidoras brasileiras estão privatizadas. Cerca de 25% das geradoras também já o estão e remetem grandes lucros ao exterior”, afirma Carvalho, citando um processo que prossegue. O governo de José Serra (PSDB) prepara a venda da estatal Cesp, uma das maiores geradoras do país, sob críticas de sindicatos e especialistas do risco que essa operação pode representar para o abastecimento de energia (leia mais).

Veja abaixo relação dos protestos realizados pelo MAB no país:

Em Rondônia, cerca de 700 Atingidos ocuparam a Unidade Termelétrica Rio Madeira no Bairro Nacional, em Porto Velho. A manifestação tem como objetivo reivindicar da estatal Eletronorte a solução de problemas antigos das famílias atingidas pelas barragens de Samuel, e das famílias ameaçadas pela construção do Complexo Madeira.

Na divisa entre SC e RS, 400 pessoas atingidas pela Usina Hidrelétrica de Machadinho iniciaram uma manifestação na entrada da Usina. Os agricultores e agricultoras reivindicam a solução de problemas acarretados pela construção da usina que são: questões de infra-estrutura comunitárias, solução para problemas ambientais, melhora na qualidade de energia, diminuição da tarifa de energia elétrica e questões de desenvolvimento regional.

Em Tocantins, 200 atingidos, ribeirinhos e trabalhadores rurais Sem-Terra ocuparam a entrada da obra da barragem de Estreito. Houve confronto com a polícia, mas ninguém se feriu. Neste momento, estão montando o acampamento na entrada da obra e, até o final da manhã, espera-se a chegada de mais 400 indígenas.

No Ceará, Cerca de 700 atingidos pelas barragens de Castanhão, Jaguaribe e Macito Baturité, ocuparam o canteiro de obras do Canal da Integração. Este canal constitui-se de um complexo de estação de bombeamento, canais, sifões, adutoras e túneis, que realizam a transposição das águas do Açude Castanhão para o Complexo Portuário e Industrial do Pecém, onde se localizam várias indústrias siderúrgicas. Para o MAB, esse canal representa a privatização da água, enquanto os atingidos pela barragem de castanhão vivem em uma situação precária.

Em Erechim (RS), Moradores dos Bairros de Santa Isabel e Polígono 21 se deslocaram na manhã de hoje, até a sede da RGE (Rio Grande Energia) para fazer a entrega coletiva das Autodeclarações que garantem a Tarifa Social de energia (descontos que podem chegar a até 65% na conta de luz)

Na Paraíba, moradores de diversas comunidades da Grande João Pessoa realizarão hoje, às 16h, uma mobilização diante do prédio da distribuidora SAELPA. Os moradores vão exigir o cumprimento da Lei que determina a cobrança da tarifa diferenciada para os consumidores que utilizam até 140 KW/mês (limite regional da Paraíba). É a chamada tarifa social, que a SAELPA e outras concessionárias relutam em cumprir.

No Paraná, 1000 atingidos ocuparam a Usina Hidrelétrica de Salto Santiago, localizada no estado do Paraná, no município de Saudade do Iguaçu (a 40km de Laranjeiras do Sul), no rio Rio Iguaçu. Após privatização, durante o governo de FHC, passou a ser multinacional Tractebel Energia.

 

28 de março de 2008 - Posted by | AÇÃO DIRETA | , , , ,

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