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Plástico biodegradável já é fabricado no Brasil


Dezembro 3, 2007 |

Fonte: Recicláveis.com.br
Autor: Sammya Araújo

Sacolas plásticas que se decompõem em 18 meses nos aterros sanitários, pratos e copos descartáveis e biodegradáveis feitos de resina de milho e mandioca, sachês plásticos de detergente que se desmancham em contato com a água. Tecnologia para o futuro? Não, todos os produtos são hoje uma realidade no Brasil, onde, além de toda a praticidade e diversidade de uso que proporciona, o plástico agora pode ser ambientalmente correto.Sacolas de compras e de supermercados, sacos de lixo, canetas, pratos, talheres, copos, cobertura para fraldas, vasos de plantas e até alças e ornamentos de urnas funerárias, assim como qualquer outro item feito com o material, podem ganhar características de degradabilidade, biodegradabilidade, compostabilidade e/ou hidrossolubilidade se produzidos a partir de aditivos inertes ou matéria prima de origem vegetal importados com exclusividade pela rEs Brasil, empresa de representação, distribuição e licenciamento industrial sediada no município de Cajamar, no estado de São Paulo, a 41 quilômetros da capital.

Detentora de tecnologias inéditas no Brasil, a empresa fornece às fábricas de plásticos aditivos que, adicionados aos plásticos comuns, tornam o produto final degradável e biodegradável. Em outros casos, a rEs Brasil distribui matéria prima de origem vegetal para fabricação de artigos biodegradáveis e compostáveis. Outros produtos podem ainda ser solúveis em água. Dessa forma, são rapidamente absorvidos na natureza e em alguns casos podem até servir de adubo e alimentação animal, eliminando o descarte em aterros sanitários (onde levam até 100 anos para se decompor) e deixando de poluir rios, lagos e oceanos.

O diretor superintendente da rEs Brasil, Eduardo Van Roost, destaca que os produtos de plástico “verde”, longe de ser apenas um ideal, já estão em plena fabricação no Brasil. “Trazemos o know how, distribuimos aditivos ou matérias primas e licenciamos fabricantes dos produtos finais”, explica.

Segundo ele, a rEs Brasil já tem contratos com seis empresas, entre elas três líderes no mercado nacional de embalagens, que por sua vez estão na fase de desenvolvimento de produtos ou de comercialização de envases com esse material para finalidades específicas, como frascos para a indústria de cosméticos e sacolas de compras para supermercados e lojas. Um outro contrato é com uma fábrica de ornamentos de urnas funerárias localizada em Santa Bárbara D’Oeste. “A matéria prima é 97% nacional no caso dos produtos aditivados. O aditivo representa apenas 3% do material”, afirma Van Roost.

Como funciona

Explicando de maneira simplificada a ação do aditivo, o empresário afirma que ele fragiliza as ligações entre as moléculas de carbono que formam o plástico, fazendo com que o material comece a se degradar sob condições comuns ao meio ambiente ao ser descartado no lixo. Posteriormente à degradação, os pequenos fragmentos resultantes serão mais facilmente digerido pelas bactérias e fungos existentes na natureza. “Uma vez quebradas as cadeias de carbono e hidrogênio do plástico comum, os átomos de carbono livres se ligam ao oxigênio da atmosfera formando dióxido de carbono. Os átomos de hidrogênio livres se ligam também ao oxigênio, formando água. Essas são as mesmas substâncias que os seres vivos exalam na respiração”, afirma.

O tempo de decomposição, acrescenta Van Roost, também pode ser regulado de acordo com a finalidade do produto. Essas propriedades não alteram nenhuma das características originais do plástico comum. Os produtos finais aditivados são totalmente recicláveis, de acordo com o superintendente da rEs Brasil.

Custos

Apesar de representar um pequeno aumento de custo em relação ao plástico comum, a versão aditivada ainda tem preço menor do que o papel, opção utilizada na confecção de sacolas por empresas que dão preferência ao material por ele ser 100% orgânico. Apesar de ecologicamente viável, o papel é mais caro porque é uma matéria prima renovável.

Com uma provável boa receptividade do mercado, em tempos “ecologicamente corretos” e “ambientalmente exigentes”, a expectativa é que os produtos de plástico biodegradável tenham seu custo reduzido. Uma possível ampliação da produção das empresas que já utilizam o material poderia deixar o preço das sacolas biodegradáveis apenas cerca de 15% acima do das sacolas feitas com plástico comum.

100% orgânico

Além do aditivo que fragiliza as moléculas do plástico comum, feito com polietileno ou polipropileno, a rEs Brasil traz para o Brasil resinas de amido feitas principalmente de mandioca, milho ou batata (não transgênicas), que resultam em um plástico 100% orgânico. O filme resultante se deteriora pela ação de microorganismos em contato com o solo, em contato com resíduos orgânicos e em ambientes de compostagem e de aterros sanitários, os chamados lixões, em um período de 40 a 120 dias, se transformando em um composto orgânico que pode ser usado como humus na adubação, segundo Van Roost.

Outra matéria prima representada pela empresa é destinada à fabricação de plástico hidrosolúvel, à base de álcool polivinílico que se desmancha em contato com a água sem deixar resíduos tóxicos ou nocivos. A principal aplicação desse material é no envase de detergentes, desinfetantes e saponáceos em pó que podem ser jogados diretamente na máquina de lavar roupa ou louça e no vaso sanitário.

Todas as resinas, matérias primas e aditivos importados e representados com exclusividade pela rEs Brasil, destaca Van Roost, são inofensivas à saúde e ao meio ambiente, recebendo certificações de órgãos europeus e norte americanos para contato com alimentos, de degrabilidade e biodegradabilidade, compostabilidade e hidrossolubilidade, conforme o caso. “Nenhum desses produtos deixa resíduos ao meio ambiente e à vida”.

A empresa

A rEs Brasil é uma empresa brasileira, com sede em Cajamar, a 41 quilômetros de São Paulo, pioneira na América do Sul na comercialização de matérias primas biodegradáveis e compostáveis e de serviços diretamente ligados à busca de soluções inovadoras e ideais para o problema da geração e destinação final de resíduos sólidos.

A rEs Brasil atua ainda na distribuição dos materiais e licencia as empresas brasileiras interessadas na fabricação dos produtos finais. Através de parcerias com outras empresas, a rEs Brasil presta serviços de consultoria e assessoria para organizações, escolas e governos na obtenção de certificados ISO 14.000 e especialmente na busca de soluções para a redução dos resíduos ou seu uso na compostagem, quando aplicável.

A rEs Brasil possui parceria internacional com a rEs S.A., empresa européia com sede em Luxemburgo e escritórios em Bruxelas que pesquisa e desenvolve seus próprios materiais e procura no mercado mundial produtos que visam diminuir ou anular os danos ao meio ambiente causados pelo lixo, em especial pelos produtos descartáveis de plástico comum.

Os materiais da rEs Brasil têm características físicas e mecânicas idênticas ao plástico comum, são totalmente degradáveis, biodegradáveis e compostáveis. Em alguns casos são ainda hidrosolúveis. Todos os produtos que usam a matéria prima podem ser processados com as mesmas máquinas e com as mesmas tecnologias aplicadas ao plástico convencional, como injeção em molde, sopro, laminação, termoformação e extrusão.

Entre as empresas que já fabricam ou testam produtos com as matérias primas da rEs Brasil estão:

  • AB Plast, de Joinville, Santa Catarina, que produz frascos, tampas e espátulas para indústria de cosméticos;
  • PraFesta, de Mairiporã, São Paulo, que fabrica talheres, pratos, bandejas e outros artigos descartáveis para festas e eventos;
  • Sol Embalagens, de Caieiras, São Paulo, que fabrica e fornece sacolas para supermercados;
  • Nobelplast, de São Paulo, que produz sacolas, materiais promocionais, filmes técnicos, envelopes e envelopes de segurança para bancos, Correios e Telégrafos e couriers;
  • NPP Termoplástico, de Santa Bárbara D’Oeste, na Região Metropolitana de Campinas, que fabrica ornamentos e alças para urnas funerárias.

Outras duas empresas estão em fase de testes mas consideram prematura a divulgação de seus nomes.

Algumas considerações sobre plásticos, meio ambiente e mercado:

Plásticos são produzidos a partir de resinas (polímeros), geralmente sintéticas e derivadas do petróleo. O uso de embalagens plásticas está crescendo em todo o mundo, e, embora estes materiais representem apenas cerca de 7% de todo lixo sólido depositado em aterros sanitários, atingem 60% do volume porque têm baixa densidade. Outras características que classificam o plástico como um material potencialmente prejudicial ao meio ambiente são: descartabilidade, que leva os produtos acondicionados em embalagens plásticas a serem os preferidos para consumo fora do ambiente residencial; resistência à degradação e leveza, que os faz flutuarem em lagos e cursos d’água.

Apesar disso, a contribuição dos plásticos nas emissões de poluentes é ainda menor que sua percentagem nos depósitos de lixo. Provou-se que não há nenhuma relação entre os plásticos existentes nesses depósitos e a formação de dioxinas (composto químico tóxico proveniente de fontes naturais ou artificiais, como lixo médico e doméstico e restos industriais originários da produção de papel).

Ainda nos depósitos de lixo, os materiais supostamente degradáveis, como o papel, não se decompõem tão facilmente quanto se imagina, pela própria insuficiência de oxigênio nestes locais. Muitas vezes, os produtos da decomposição podem representar um impacto mais nefasto sobre o meio ambiente que os plásticos, que são inertes.

Do total de embalagens consumidas no Brasil em 1997, cerca de 25% eram plásticas. Na Europa Ocidental, continente com alto grau de conscientização ambiental, o plástico responde por 50% do total do mercado de embalagens.

No Brasil, cerca de 700 milhões de sacolas plásticas de compras são utilizadas mensalmente pelas redes de supermercados. A maioria depois serve para condicionar lixo doméstico e é depositada em aterros ou descartada na natureza, onde leva até 100 anos para se decompor. Nos mares, onde parte das sacolas vai parar, são confundidas com águas-vivas, uma das fontes de alimentação das tartarugas, que morrem ao ingeri-las. Por conta disso, algumas redes varejistas brasileiras mostram-se preocupadas com a situação, pois não querem suas marcas associadas à poluição ambiental e vêem as sacolas biodegradáveis como opção viável economicamente, ecologicamente correta e interessante do ponto de vista mercadológico.

As embalagens plásticas biodegradáveis podem substituir gradativamente as tradicionais, reservando ao plástico comum aplicações de caráter mais duradouro, como móveis de jardim.

Tempo de decomposição dos resíduos

Papel: 3 a 6 meses
Jornal: 6 meses
Palito de madeira: 6 meses
Toco de cigarro: 20 meses
Nylon: mais de 30 anos
Chicletes: 5 anos
Pedaços de pano: 6 meses a 1 ano
Fralda descartável comum: 450 anos
Lata e copos de plástico: 50 anos
Lata de aço: 10 anos
Tampas de garrafa: 150 anos
Isopor: 8 anos
Plástico: 100 anos
Garrafa plástica: 400 anos
Pneus: 600 anos
Vidro: 4.000 anos
Fralda descartável biodegradável: 1 ano
Sacolas biodegradáveis: em média 18 meses

26 de novembro de 2008 - Posted by | BOAS NOTÍCIAS |

4 Comentários »

  1. Sou pequeno distribuidor de sacolas camisetas no ES e preciso de preço compatível com mercado regional. Vocês podem me passar preço dos tamanhos 30×40, 38×48 e 40×50? Aqui compramos emnalagens com 5 kg cada fardo. A cor fica poderá ser verde, amarela ou azul. Grato pela presteza da informação.
    Excelentes negócios!!!

    Comentário por Rober Curti | 19 de maio de 2009

  2. estou fazendo um trabalho sobre fraldas bio degradaveis, onde posso encontrar mais informções sobre o assunto

    Comentário por erica | 22 de agosto de 2009

  3. veja: http://moradadobebe.blogspot.com/

    Comentário por a.barral | 23 de agosto de 2009

  4. Muito bom o texto, e gostei de saber sobre os diversos tipos de plásticos ecológicos. E aprovo a maioria deles.

    Só gostaria de ressaltar um perigo, o plástico degradável que produz no final CO2 e H2O, deve-se tomar um cuidado. É verdade que esse elementos são produzidos pelas respiração, mas se forem produzido pelo plástico retirado do petróleo esse produto final traz as mesma consequências da queima de gasolina para o efeito estufa.

    Portanto, as escolhas devem ser avaliadas com cuidado, cada um tem suas vantagens. Inclusive, o plástico comum se for reciclado, já que evitará o uso de mais petróleo.

    Comentário por Hugo | 21 de setembro de 2009


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